Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Glória Feita de Sangue

Glória Feita de Sangue, de Kubrick.
O filme “Glória Feita de Sangue”, de Stanley Kubrick, é um dos filmes de guerra mais contundentes que existem. Pode-se dizer que foi um filme feito com muita coragem, pela forma franca com que alguns assuntos são tratados, numa época em que a Guerra Fria estava a pleno vapor (1957) e noções como a de patriotismo eram incontestáveis nos Estados Unidos. Mas Kubrick contestou.

Vemos aqui a história ambientada na Primeira Guerra Mundial. O ano é 1916 e presenciamos a famosa “guerra de trincheiras”, onde não existem muitos avanços dos exércitos contra as linhas inimigas. No exército francês, o general Broular (interpretado por Adolphe Menjou, antiga estrela do cinema mudo, que contracenou com Rodolfo Valentino em “O Sheik” e foi um dos protagonistas de “Casamento ou Luxo”, de Chaplin) instiga o general Mireau (interpretado por George Macready) a tomar uma posição alemã conhecida como “o formigueiro” sem qualquer espécie de ajuda, algo considerado praticamente impossível. Tomado pela vaidade e pela possibilidade de glória, Mireau aceita o desafio. Os soldados de Mireau são comandados pelo coronel Dax (interpretado por um vivaz Kirk Douglas), que não concorda com a missão praticamente suicida mas é obrigado a executá-la. Durante o ataque, uma parte do exército simplesmente não conseguiu sair da trincheira em virtude do fogo cruzado alemão, o que muito irritou Mireau, que chegou a dar ordens para atirar nos próprios soldados em virtude de sua suposta covardia, mas foi desobedecido. Como era necessária uma punição exemplar, três soldados foram escolhidos para serem julgados pela corte marcial, cuja pena seria a capital. Dos três soldados escolhidos, um foi sorteado, outro foi escolhido pois não se dava bem com um dos capitães e outro era considerado “socialmente indesejável”. O coronel Dax foi advogado de defesa dos três soldados, mas o julgamento era de cartas marcadas, com praticamente nenhum direito de defesa, o que provocou protestos irados de Dax. Ao fim, os três soldados foram fuzilados. Tudo isso sob os olhares frios dos grandes generais. Para não ficar um clima de injustiça total, o general Mireau ainda passou por um inquérito depois da denúncia do coronel Dax de que Mireau mandara atirar em seus próprios soldados. Mas o grande mérito do filme foi a resistência do coronel Dax a todas as injustiças impostas pelos grandes generais franceses. Ainda, Dax menciona uma frase que deve ter provocado grande impacto na época em que o filme foi rodado: “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. “Glória Feita de Sangue” é um filme que questiona desmandos da hierarquia militar, critica um patriotismo exacerbado e expõe cruamente as injustiças da guerra. A cena final é exemplar. Os soldados da companhia de Dax estão se divertindo num bar quando seu dono traz ao pequeno palco uma moça alemã que havia sido capturada. Depois de ser vaiada, tripudiada e desrespeitada pelos soldados franceses, ela começa a cantar para diverti-los. Sua canção é cheia de melodia e tristeza, expressa na lágrima que sai de seu olho. Os franceses param com o barulho e as risadas e passam a cantarolar a melodia cantada em alemão pela moça. Muitos deles com o semblante fechado e também com lágrimas nos olhos. Tudo isso sob o olhar atento e a expressão melancólica do coronel Dax. Momento sublime de um filme importantíssimo de Kubrick.

Cartaz do Filme.


Kirk Douglas em atuação memorável


Cena do Fuzilamento.


General Mireau: busca de promoção pessoal com o desperdício de vidas humanas.


A comovente cena da canção da prisioneira alemã.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Somos o que Somos

Somos o que Somos: Calafrios Não Recomendados a Vegetarianos.
Um filme do gênero suspense (embora alguns vão achar que se trate de uma película de terror) que não tem sido muito falado por aí é “Somos o que Somos”. Apesar de não ser algo muito pretensioso, o filme possui alguns elementos dignos de nota. Sem falar que sua historinha é muito escabrosa. Vamos aqui fazer uma pequena análise.

A história fala da misteriosa e reclusa família Parker, chefiada por um pai altamente religioso, que beira as raias do fanatismo e que, no desenrolar do filme, se desdobrará numa loucura atroz (essa é a grande virtude do filme: fazer um alerta para o perigo do fundamentalismo religioso, mesmo se tratando de algo muito exagerado aqui). A mãe acaba morrendo em virtude de uma doença degenerativa que provoca tremedeiras semelhantes às do mal de Parkinson. Logo vemos que o pai é acometido da mesma doença. Frank Parker (interpretado por Bill Sage) não permite que seus filhos se alimentem até um determinado dia, em virtude de uma tradição religiosa. As filhas Iris (interpretada por Ambyr Childers) e Rose (interpretada por Julia Garner) seguem as tradições do pai ao pé da letra, todas conservadas num antigo livro da família, que será a chave do mistério do comportamento dos Parkers e porque eles “são o que são”. Ao mesmo tempo, há desaparecimentos de pessoas na região em que eles moram (Delaware) e as investigações são prejudicadas por um período de fortes chuvas e enchentes. O médico da região, Barrow (interpretado por Michael Parks), teve sua filha desaparecida e faz investigações. Ele fez a autópsia na mãe dos Parker e encontrou os indícios da tal doença que provocava as tremedeiras, assim como um osso humano no rio que passa por detrás da casa dos Parker. Logo, as peças do filme se encaixarão. O livro antigo dos Parker é um diário de uma menina que foi antepassada da família e que fez parte dos pioneiros que desbravavam o país. O detalhe é que eles eram extremamente religiosos e se viram num momento dentro de uma floresta sem comida. E, para sobreviverem, precisaram praticar... canibalismo (argh!), o que acabou virando um ritual religioso da família. Então os Parkers do presente passavam longos períodos de fome, assim como seus antepassados, para depois sacrificar os “cordeiros”, ou seja, pessoas que eles capturavam e mantinham no porão da casa, jogando depois os ossos lá no rio. Bem macabrozinho... e as tremedeiras eram decorrência do consumo de carne humana, tudo descoberto pelo nosso competente Doctor Barrow em seus livros de medicina. Mas o filme tem detalhes mais escabrosos, como o jantar da família, com pedacinhos de carne humana sendo servidos num molho vermelhinho, o ossário que era o leito do rio, as desagradáveis cenas de assassinato, isso sem falar no fim de papa Parker (me desculpem o trocadilho, não resisti), que foi meio que devorado vivo pelas próprias filhas, tudo na medida exata de quem gosta de um bom filme de suspense (ou terror?). Ah, não devemos nos esquecer da presença de Kelly McGillis. Lembram daquela louraça que contracenou com Tom Cruise em Top Gun? Pois é, ela trabalha no filme como Marge, uma vizinha que é louca pelo paizão homicida. Não gosto de tocar nesses assuntos, mas o tempo foi realmente muito cruel com ela... Para quem gosta do gênero suspense (ou terror?), o filme chega a divertir, embora se precise de um pouco de estômago. Só não recomendo a vegetarianos. Agora, para quem gosta de carne mal passada...

Cartaz do Filme. Olha a carinha bonitinha do papai!!!!


Rose e Iris: lavagem cerebral dentro de um clima de fanatismo religioso.


Vamos Comer???? Tá Gotooooso!!!!!


Usa um guardanapo, menina!!!!


Kelly McGillis: tempo cruel...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Pais e Filhos

Pais e Filhos: troca de bebês à japonesa.
O filme “Pais e Filhos”, produção japonesa, ganhou o prêmio do júri no último festival de Cannes. O filme trata de um assunto que já foi abordado em outros filmes: troca de bebês em maternidades. Mas o detalhe aqui é que isso ocorre dentro da ótica da cultura japonesa, o que colore o tema de novos tons.

A história começa com uma família de classe média alta. O pai, Ryota (interpretado por Masaharu Fukuyama), é um executivo de uma grande empresa, fissurado no trabalho, sobrando pouco tempo para sua esposa Midori (interpretada por Machiko Ono) e seu filho Keita. Os hábitos da família são altamente burgueses: o filho tem que aprender a tocar piano, há uma excessiva proteção dos pais ao garoto, até por se tratar de filho único, regras de etiqueta são observadas. Mas os dias dessa família aparentemente certinha acabariam quando eles receberam uma ligação da maternidade onde Keita nasceu e tiveram a notícia de uma possível troca de bebês, algo que foi confirmado depois de um exame de DNA. A partir daí, surgiu a difícil questão de se fazer a troca de filhos com a família dos pais biológicos de Keita. Essa família, aliás, é o oposto da primeira família em praticamente tudo: seus membros são de posição social mais baixa (eles têm um pequeno comércio), possuem três filhos, o pai é muito mais presente e tem a habilidade de consertar todos os brinquedos das crianças, além de tomar banho junto com os filhos e ser muito brincalhão. Essas duas famílias então vão começar a interagir, marcando encontros para que todo mundo se conheça que a troca de filhos seja a menos dolorosa possível. Mas logo estabelecem-se diferenças entre as famílias: a família mais pobre pensa numa indenização em dinheiro, algo que é visto com repugnância pela família mais rica. Em contrapartida, o pai da família mais rica pensa em criar os dois filhos e oferece dinheiro para o pai da família mais pobre, que rechaça violentamente a proposta, causando muito mal estar. Nesse momento, vemos como a noção de honra da cultura japonesa pesa muito, pois depois a mãe da família mais rica pede perdão a outra família numa postura altamente submissa para os padrões ocidentais. Ainda, uma família mais pobre que inicialmente pensava no dinheiro da indenização não aceita o dinheiro de uma proposta inescrupulosa. Notamos uma alta ocidentalização da cultura japonesa no filme (como ela realmente é), mas elementos muito ligados a honra tão presente nessa cultura oriental se fazem muito marcantes. O filme falha por ficar um pouco mais centrado na família burguesa, mas mostra um aspecto positivo: a mudança do pai mais rico, que passa a dar mais atenção para sua família, e isso depois do ótimo exemplo do pai pobre, muito irresponsável para as coisas “adultas” da vida, mas muito presente para os seus filhos. O melhor do filme são as cenas de brincadeiras entre adultos e crianças. Tudo isso colocado de uma forma muito delicada e serena. Aliás, essa delicadeza e serenidade permeiam todo o filme. Realmente sentimos que vemos algo diferente do que estamos acostumados. Sou meio suspeito para dizer, pois admiro muito o povo japonês. De qualquer forma, não estou sozinho ao louvar o filme, o júri de Cannes fez o mesmo... vale a pena dar uma olhadinha nesse leve drama... e ainda tem as cerejeiras e suas lindas flores...

Duas famílias em uma...


Pais burgueses conhecendo o filho biológico


Pais mais pobres (interpretado pelos atores Yoko Maki e Riri Furanki)


Pai mais pobre brincando na piscina de bolinhas...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - 2001, Uma Odisseia no Espaço

2001, Uma Odisseia no Espaço – Ficção Científica como Arte.
Falar de uma obra de arte sempre é algo difícil. Ainda mais quando se trata de “2001, uma Odisseia no Espaço”, de Kubrick. Lembro-me quando esse filme passou na TV pela primeira vez. Eu era moleque e não entendia aquela sucessão de imagens e sons tão estranhos. Esperava algo no estilo “Guerra nas Estrelas” Quebrei a cara.
Mas o filme me despertou muita inquietação. A primeira vez que escutei alguma explicação sobre ele foi de um professor de ciências que dizia que o filme buscava mostrar que, por mais que a gente avance e busque inovar, sempre retornamos ao ponto de partida. Sei lá, num primeiro momento, não me convenci muito.
Busquei então o livro e, só aí, pude entender do que se tratava a história, embora o filme a contasse com algumas modificações. Definitivamente, nem sempre uma imagem vale mais que mil palavras. Mas, mesmo assim, Kubrick mostrou a força das imagens nesse filme. Um filme quase sem diálogos. Um filme praticamente mudo, criando arte através da simbiose entre imagem e música, algo que o mestre tanto valorizava. O coro de vozes altamente angustiantes nas cenas do monólito extraterrestre, seja diante dos homens pré-históricos, seja diante da nave Discovery nas cercanias de Júpiter expressam o medo e o receio humanos diante do sobrenatural (minha mãe costumava dizer que parecia que havia um monte de almas penadas gritando no filme). O acoplamento da nave espacial à gigantesca estação rotatória que simula a força de gravidade ao som de Danúbio Azul transforma a física em arte, como se as forças que regem o movimento das máquinas criadas pelo homem fossem uma grande dança exaltando o triunfo possibilista da engenhosidade humana. A imagem da Discovery a caminho de Júpiter sob uma música muito melancólica, expressão pura da solidão no espaço profundo, na minha modesta opinião o momento mais lindo e poético do filme. A viagem de Dave em velocidades altíssimas dentro de um caleidoscópio coloridíssimo com um fundo musical altamente desesperador, desespero esse expresso nas imagens congeladas e aterrorizadas da face de Dave, num contraponto à alta velocidade a qual ele está submetido. Dizem que esse momento do filme é o que mais se aproxima no cinema a uma viagem que um viciado em LSD faz. Ou seja, Kubrick, com o poder de suas imagens, nos deixa “doidões” sem a gente precisar se drogar. Só esses momentos já fazem de 2001 uma obra prima em termos cinematográficos. Mas há ainda mais. Esse trabalho foi, com certeza, um dos melhores filmes de ficção científica da história do cinema, se não foi o melhor. Uma civilização alienígena que salva o homem da extinção lá na pré-história, sugerindo telepaticamente que o osso seja usado como arma para o homem ter o que comer. O osso travestido em nave espacial, consequência do primeiro avanço tecnológico que foi usar o osso como porrete, o que salvou o homem. A presença de um monólito na Lua, que emitiria um sinal assim que o homem lá chegasse, avisando a civilização alienígena dos progressos tecnológicos da humanidade. A viagem a Júpiter para investigar o outro monólito gigante. A presença de HAL 9000, um computador que tem consciência de si mesmo e que tem emoções (o medo de HAL ao ser desligado por Dave e suas súplicas doem na gente a qualquer tempo, é um sentimento forte e atemporal). O contato com o monólito e a velocidade warp de Dave, que termina numa pequena sala, um ambiente produzido pelos alienígenas para que Dave se torne mais confortável. A velocidade de seu metabolismo aumentada para seu rápido envelhecimento e morte, para fundir seu corpo com a espécie alienígena. O desfecho do bebê, fruto da mistura entre as duas espécies, vendo o planeta Terra, ao som de Assim Falou Zaratrusta, de Richard Strauss. Tudo isso passado em imagem viva diante de nossos olhos, praticamente sem diálogos, toda a linguagem cinematográfica presente dentro da materialidade das imagens, com a música reforçando e ratificando os significados.

Lembro-me aqui de meu professor. Por mais que a gente busque avançar, sempre retornamos ao ponto de partida. Com o renascimento de Dave, podemos dizer que meu mestre tinha lá uma certa razão. Entretanto, renascemos, reciclamos, sempre para buscar um novo futuro. Voltar ao ponto de partida, voltar às origens (como o toque que o Dr. Floyd faz com a mão no monólito da Lua, o mesmo toque que o homem pré-histórico faz no monólito no passado distante) pode até ser algo bom, precisamos de nossas referências e raízes. Mas a raiz é a base para crescermos e buscarmos sempre um futuro melhor para todos nós. 2001 também tem essa mensagem implícita. Definitivamente, esse filme é um patrimônio da humanidade!

Cartaz da Obra Prima


Descoberta instigada pelo monólito, que traz a sobrevivência.


O monólito alienígena.


Osso e nave: frutos da tecnologia


Estação Espacial: Rotação Traz Simulação de Gravidade.


A Solitária Discovery no Espaço.


HAL 9000: um computador com sentimentos.


A visão aterrorizada de Dave durante seu warp.


Dave, em seu leito de morte, perante o monólito alienígena.


Dave mesclado com a espécie alienígena. Delicadeza e perplexidade. 


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - O Capital, de Costa Gavras

O Capital: Mais Uma Obra-Prima de Costa-Gavras.
Mais uma obra-prima do grande cineasta Costa-Gavras. Depois de sucessos como “Missing, o desaparecido”, que fala de um americano que “desapareceu” no Chile durante a ditadura Pinochet, e “Amém”, que fala da “vista grossa” que a Igreja Católica fez ao Holocausto de judeus na Segunda Guerra Mundial, o cineasta grego nos brinda com “O Capital”.

O filme é centrado em torno do personagem Marc Tourneuil (interpretado por Gad Elmaleh), que se tornou homem de confiança do presidente de um poderoso banco francês. Mas esse presidente está com câncer e transfere a presidência para Marc, a contragosto de praticamente todos os executivos do banco, que querem derrubá-lo. Marc percebe toda a trairagem envolvida e, já numa de suas primeiras reuniões, marca seu território, impondo um salário compatível com seu cargo. Mas essa queda de braço era só a ponta do iceberg. Seu banco, o Phenix, tinha ligações com outros bancos e grandes capitalistas americanos, personificados na figura de Dittmar Rigule (interpretado pelo grande Gabriel Byrne; quem não se lembra, ele é o D’Artagnan do “Homem da Máscara de Ferro”, com o Leonardo di Caprio), que quer tirar todas as vantagens possíveis e imagináveis do banco Phenix. Marc chega a ser pressionado por Dittmar para fazer um programa de demissões com o intuito de subir as ações do banco Phenix. Marc o faz, através de uma teleconferência onde todos os funcionários do banco no mundo participam de um questionário onde eles mesmos apontam quem deve ser demitido, seja por assédio moral, sexual, atitudes autoritárias, etc. Isso provoca um aumento no valor das ações e também um profundo corte na carne, como se costuma dizer por aí. Entretanto, as pressões continuam por todos os lados em cima de Marc, que tem que jogar de acordo com as regras do jogo capitalista, ou seja, driblando e fazendo todas as canalhices e trairagens da pior espécie. Por isso mesmo, ele ficou rotulado como um tipo de Robin Hood às avessas, que tira dos pobres para dar aos ricos. Mas os ricos são apenas crianças, que brincam e brincam, até que tudo vá pelos ares, nas palavras do próprio Marc. Esse filme é uma ótima reflexão sobre a grande crise que o capitalismo atravessa no mundo, que leva países como Portugal, Grécia e Espanha a passarem por violentas dificuldades, com altas taxas de desemprego, cortes nos gastos públicos e severas políticas de austeridade impostas pelo FMI, que colocam a faca no pescoço da população e com tudo isso sendo feito para salvar os lucros dos bancos e dos grandes empresários capitalistas que, com seus investimentos de alto risco colocaram a economia em crise e quem tem que pagar as contas desses deslizes acaba sendo o povo. Gavras deixa bem exposta a vilania dos bancos e dos grandes empresários, responsabilizando-os diretamente pela crise mundial. Um sistema capitalista cruel, que tira e nada dá, um oceano de sujeira onde o dinheiro fala mais alto, exposto de forma nua e crua. Pois é. Ah, por que muitos bancos foram depredados nas manifestações do ano passado mesmo? Seria isso só puro vandalismo? Você se sente violado com tantas tarifas bancárias? Questões, questões e questões... que Gavras lança com maestria em seu filme. Por isso, não deixem de ver, não deixem de ter...

Marc, o presidente do banco Phenix (mocinho num covil de bandidos? Ou a farinha do mesmo saco?)


Cartaz do Filme


O grande diretor grego Costa-Gavras.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Pelos Olhos de Maisie

Pelos Olhos de Maisie: Poderia Ser Na Sua Família.

Mais um filme que tem tudo de bom: bom roteiro adaptado do romance de Henry James, bons atores e que nos faz pensar. “Pelos Olhos de Maisie” dá voz a quem geralmente não pode se manifestar. O filme fala de Maisie, uma menininha de sete anos (interpretada por Onata Aprile) que vê o casamento de seus pais desmoronando e enfrenta as consequências de tudo isso. O casal é formado pela estrela de rock Susanna (interpretada por Juliane Moore, olha ela aí de novo!) e pelo galerista Beale (interpretado pelo também bom ator Steve Coogan). O relacionamento de Susanna e Beale está no fim e pode-se dizer que os dois têm culpa nisso: Susanna é agressiva, egocêntrica e insegura, ao passo que Beale não consegue emprego nos Estados Unidos e precisa fazer seguidas viagens a Europa, não sendo presente nem para a mulher, nem para a filha. Enquanto isso, Maisie leva a sua vida de criança mas percebe os atritos entre os pais. Com o divórcio, virão mais impactos para Maisie. A disputa entre os pais por sua guarda, as constantes mudanças de Maisie da casa da mãe para a do pai, etc. Mas o elemento mais marcante será o fato de que ambos os pais arrumam relacionamentos com o fim específico de garantir a guarda de Maisie. Beale inicia um caso com Margô, a babá de Maisie (interpretada por Joanna Vanderham) e Susanna se casa com Lincoln (interpretado por Alexander Skarsgard), um bartender. A partir daí, os pais biológicos de Maisie se afastam cada vez mais (Beale sempre na Europa e Susanna em turnê) e os pais postiços cada vez mais se aproximam de Maisie e, inclusive, iniciam um relacionamento. O que mais dói no filme é ver a menina sendo jogada para lá e para cá, com ninguém se responsabilizando efetivamente por ela. Uma situação que é muito corriqueira hoje em dia, já que alguns matrimônios hoje não costumam mais ser para a vida inteira, mas ainda há o problema das crianças que estão no meio dessa confusão toda. E que nem sempre são ouvidas. Aposto que o leitor dessas linhas deve conhecer mais de um caso do tipo que é apresentado nesta história. Como estamos falando de um filme americano, houve a opção pelo happy end, mas sabemos que a vida real nem sempre é assim. Por todos esses elementos, “Pelos Olhos de Maisie” é outro filme que vale a pena. Um caso bem clássico de arte imitando a vida. Mais um filme que nos faz refletir e nos chama a atenção para um problema social tão marcante e tão atual.

 Cartaz do Filme nos Estados Unidos


Cartaz do Filme no Brasil


Maisie entre Lincoln e Margô


Juliane Moore mais uma vez deu um show


Steve Coogan também teve boa atuação


A linda Maisie com sua tartaruguinha. De dar dó!!!!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty – Em Busca do Negativo Perdido.

Um filme que critica a era da internet, vendo-a como uma época de maior superficialidade. Talvez essa seja a primeira impressão que “A Vida Secreta de Walter Mitty” nos deixa. Esse bom filme conta a história de um funcionário responsável pelos negativos da revista Life, o tal do Walter Mitty (interpretado pelo sempre ótimo Ben Stiller), que vê o seu emprego ameaçado pelo fim da edição impressa da Life, já que ela será apenas disponibilizada pela internet. Não só Mitty perderá o seu emprego, mas também muitos outros funcionários. Vemos aqui como a tecnologia aparece como a vilã responsável pelo desemprego, algo que já foi exaustivamente discutido por sociólogos, historiadores, geógrafos e outros estudiosos de ciências humanas. O interessante aqui é perceber que um filme americano e hollywoodiano trata desse assunto. Essa questão tecnológica também aparece no personagem de Mitty. Apaixonado por uma colega de trabalho, Cheryl (interpretada pela bela Kristen Wiig), Mitty busca iniciar uma conversa com ela numa rede social, mas não consegue nem preencher seu perfil e muito menos entrar em contato com a moça. Ele inclusive pede ajuda ao call center da rede social e percebe que sua vida é muito sem graça, embora ele tenha uma mente muito fértil e fantasie situações as mais inusitadas possíveis, o que dá muita graça ao filme. Esses devaneios fazem com que ele seja um cara muito desligado. Mas a trama da história vai se desenrolar em torno de um antigo negativo de foto. Isso porque um lendário fotógrafo, Sean O’Connell (interpretado pelo ótimo Sean Penn, que está cada vez melhor como ator assim que o tempo passa) envia negativos para Mitty, segundo O’Connell, “a pessoa que trata melhor seus negativos”, sendo que o negativo de número 25 será a quintessência de sua produção. Assim, para a capa da última edição impressa da Life, esse negativo será utilizado segundo o desejo do novo responsável pela revista, Ted (interpretado por Adam Scott) que tripudia impiedosamente Mitty. O problema é que o negativo não está na correspondência e Mitty precisa desesperadamente achá-lo para garantir esse emprego. Mas O’Connell não é lá um cara muito acessível e Mitty começa uma busca desesperada pelo fotógrafo que inclui viagens à Groenlândia, Islândia e Afeganistão, com direito a uma escalada no Everest. O filme ainda tem uma grata surpresa: a mãe de Mitty é interpretada por ninguém mais que Shirley MacLaine, sempre uma grande atriz, principalmente se nos lembrarmos de suas atuações em filmes como “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, com David Niven e Cantinflas e “Laços de Ternura”, com Debra Winger e Jeff Daniels. Assim, vemos que “A Vida Secreta de Walter Mitty” é um filme com um bom roteiro, que prende a atenção do início ao fim, tem um bom elenco e é mais um dos filmes que discutem a questão do embate tradição X modernidade, sendo que aqui a tradição é exaltada em detrimento de uma modernidade cheia de vilania. É interessantíssimo perceber as paredes da redação cobertas de capas da Life, onde cada foto era uma manifestação dos valores da tradição. Outro detalhe visível é a falta de entendimento do patrão Ted quanto ao vocabulário técnico de Mitty, que tem outra realidade tecnológica, assim como o seu desconhecimento do lema da revista, forjado nos tempos das edições impressas. As fotos também são usadas com toda uma carga simbólica, onde Ted aparece num momento ao lado de uma foto do Nixon (imagem do vilão por excelência), e Mitty, ao começar sua corrida em busca de O’Connell, passa por fotos enormes de capas antigas da revista, onde a última delas é uma foto do próprio Mitty com um capacete de astronauta, numa alusão de que ele é o grande herói salvador da tradição, coroando-a  numa visão absolutamente positiva. Só não vou dizer o que estava nesse negativo que foi usado como a capa da revista para não estragar a surpresa. Mas dou uma dica: ele irá  mais uma vez valorizar a tradição. Só para finalizar, Ted deu o apelido de “Major Tom” a Mitty de forma pejorativa (por ele ser muito desligado), mas Cheryl usa isso de forma positiva para estimular Mitty a procurar O’Connell, pois “Major Tom” conta a história de uma pessoa que persegue seus sonhos. E a música de David Bowie entra em cena mais uma vez (já tínhamos falado dela em “Eu e Você”, de Bertolucci), num lindo momento do filme, como fundo musical de um voo de Mitty pelos mares da Groenlândia. Vale a pena dar uma conferida nesse filme.

Cartaz do Filme: título em português é tradução literal do original (fenômeno raro!)


Mitty (Stiller) passando pela capa da Life com seu rosto: herói defensor da tradição.


 Mitty e Cheryl.


Mitty e O’Connell (um ótimo Sean Penn).


É sempre bom rever Shirley MacLaine!!!!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - La Jaula de Oro

La Jaula de Oro: Uma Triste Realidade.

O filme “La Jaula de Oro” é um típico caso de arte imitando a vida. O filme conta a história de três adolescentes, Juan (interpretado por Brandon López), Sara (interpretada por Karen Martinez) e Chauk (interpretado por Rodolfo Dominguez), que são da Guatemala e querem tentar a sorte nos Estados Unidos. Para isso, precisam entrar ilegalmente também no México. Durante a viagem, os três jovens irão passar por todo o tipo de provações e situações escabrosas, ficando a mercê das forças militares mexicanas, traficantes sanguinários e coyotes. O filme é de uma crueza insuportável, mostrando uma miséria aguda e um total desrespeito pela vida humana. Ele joga a realidade dessa situação tão deprimente (a saga de imigrantes ilegais em direção aos Estados Unidos) em cima de você, que não podemos ficar indiferentes a tudo que a tela nos mostra. Vemos quadrilhas fortemente armadas assaltando camponeses que viajam no teto de trens, mulheres sendo sequestradas para serem vendidas em centros de prostituição, traficantes que oferecem inicialmente trabalho, mas depois exigem números telefônicos de parentes nos Estados Unidos das pessoas que sequestram, sob a pena de serem executadas, franco atiradores matando imigrantes ilegais, etc, etc, etc. Dá para perceber que o filme é muito barra pesada, mas é um filme extremamente necessário, pois busca denunciar todas essas atrocidades e crimes contra os direitos humanos. E nos faz refletir do que a ganância humana é capaz. O desfecho do filme é trágico para alguns dos personagens. E você sai do cinema consciente de que, do jeito que está, o mundo não pode continuar. Mesmo que se chegue aos Estados Unidos depois de todo o sofrimento que essa viagem ilegal pode proporcionar, a vida não será exatamente um mar de rosas, um sonho consumado. Virá ainda mais preconceito, o trabalho braçal e desagradável que ninguém quer mais fazer e a impressão de que você é tratado como um cidadão de segunda classe. A imagem emblemática da neve caindo que aparece ao longo do filme e em sua cena final, como alegoria do desenvolvimento e do eldorado mítico que são os Estados Unidos, parece muito pouco ante a tanto sacrifício e perda. Esse prêmio soa mais como uma crueldade implacável que nos toca a fundo, que nos dá uma sensação de desalento, melancolia e derrota. Você sai cabisbaixo da sala. Mas às vezes, precisamos desse impacto para acordarmos de um estado de letargia e indiferença perante as injustiças do mundo. E “La Jaula de Oro” faz isso muito bem. Por isso mesmo, é um filme indispensável....


Cartaz do Filme


Sara (de boné, fingindo ser menino), Juan e Chauk: fugindo da miséria para cair no inferno.


Mulheres sequestradas e vendidas para a imigração...


O diretor espanhol Diego Quemada-Díez e os três atores protagonistas do filme: reconhecimento internacional, com prêmios em Cannes, Mar del Plata, São Paulo e Zurique, entre outros festivais...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Azul é a Cor Mais Quente

Azul é a Cor Mais Quente: a Palma de Ouro de Cannes 2013!

O filme “Azul é a Cor Mais Quente” é um filmão em todos os sentidos: ganhou a palma de ouro no Festival de Cannes do ano passado e tem três horas de duração. E podemos dizer que o prêmio foi bem merecido. É mais um filme que trata do tema do homossexualismo. Vemos aqui a história de Adèle (interpretada por Adèle Exarchopoulos), uma adolescente com carinha de coelho que descobre sua sexualidade e sua tendência ao homossexualismo de forma gradativa. Tudo começa com uma inquietação que ela não consegue descrever. Falta algo para a vida da moça. Ela participa de festas, é estimulada pelas colegas a flertar com meninos, chega a ter sua primeira experiência sexual com um garoto, mas nada daquilo a completa. Pouco a pouco, ela descobre sua atração por garotas e passa a praticamente ter certeza disso quando passa pela rua por um casal de lésbicas, sentindo-se atraída por uma delas, que tem um cabelo meio verde, meio azul. Ela, inclusive, chega a se aproximar de uma colega que tem os mesmos sentimentos, mas a amiga não leva a relação à frente, dizendo que beijou Adèle simplesmente por instinto. Adèle então é levada por um amigo homossexual a uma boate gay onde encontra a tal garota de cabelo colorido. Ela se chama Emma (interpretada por Léa Seydoux). E assim começam a se aproximar cada vez mais. Isso provoca um ataque de homofobia pela parte das amigas de Adèle. Mas as duas continuam juntas e se descobrem cada vez mais. Elas discutem sobre vários assuntos: o amor de Adèle pela literatura e o amor de Emma por artes plásticas e filosofia, sobretudo Sartre, cujo pensamento existencialista dá ao homem o poder de ter escolhas sobre o que ele será em sua vida, argumento que ajuda a justificar a opção pelo homossexualismo. Logo surge a paixão, o primeiro beijo e tórridas cenas de sexo entre as duas. Mas as diferenças entre elas começam a brotar. E o filme acaba caindo na armadilha dos estereótipos. A família de Emma é formada por intelectuais que comem pratos e bebem vinhos refinados, tendo formação acadêmica, numa sugestão de pertencerem a um estrato social mais alto. Já a família de Adèle é mais pragmática, dá mais importância a um emprego que dê dinheiro, come macarrão à bolonhesa e bebe suco de fruta de caixa, numa sugestão de que pertencem a um estrato social mais baixo. Esse choque cultural se manifestará no relacionamento de Adèle e Emma. Quando as duas jantam na casa dos pais de Emma, Adèle estranha a ostra e os vinhos altamente requintados e os pais aceitam claramente a opção sexual das duas (como se os ricos e intelectualizados não tivessem nunca qualquer rompante de homofobia). O que os pais de Emma estranham é a opção de Adèle por ser professora primária, pois uma profissão é algo mais concreto que seguir uma carreira acadêmica que nem sempre é garantia de um emprego sólido no futuro. Essa forma de pensamento para uma família que prioriza dissertações de mestrado e teses de doutorado é praticamente algo desprezível. Já na casa de Adèle, a relação homossexual das duas é totalmente omitida (o sexo é até feito em silêncio entre as duas no quarto de Adèle), como se todas as famílias de um estrato social mais baixo fossem homofóbicas. Além disso, Emma é que fica numa saia justa dessa vez, pois os pais de Adèle não valorizam sua opção pelas artes plásticas, por ser algo que “não dá dinheiro”. Vemos aqui os estereótipos do rico liberal intelectual e do pobre homofóbico pragmático. Mas o pior ainda estava por vir: Adèle se sente deslocada e solitária quando Emma está com suas amizades intelectuais e pensa demais na sua carreira de artista. Assim, Adèle acaba se envolvendo com um garoto, algo que é descoberto por Emma, que acaba expulsando Adèle de casa. A partir daí, a dor de Adèle é aguda e intensa e ela mergulha no seu novo ofício de professora. Passados uns anos, Emma e Adèle se encontram num café para saberem como cada uma está. Emma está com um novo relacionamento homossexual, mas reconhece que o sexo não era como com Adèle. E Adèle não se envolveu mais seriamente com ninguém. A moça ainda faz uma última investida em Emma, deixando a agora ex-cabeluda azul totalmente transtornada (diga-se de passagem, Adèle o fez muito bem!). Emma, por fim, diz que não pode reatar com Adèle, pois tem outro relacionamento, mas terá um enorme carinho por ela (aquela desculpa esfarrapada típica de quem está dando um pé na bunda). O filme termina com Adèle indo à exposição de arte de Emma, que lhe dá pouca atenção e a nossa agora mulher adulta está totalmente deslocada naquele ambiente altamente intelectualizado. Adèle sai à rua e vai embora, para o desespero de seu antigo caso masculino que também estava na exposição e a perdeu de vista. Esse realmente foi o melhor desfecho para o filme. Não há espaço aqui para um happy end à americana. Ainda mais num filme francês dessa magnitude e profundidade. Assim, “Azul é a Cor Mais Quente” é um excelente filme, que só peca pelos estereótipos, mas mesmo assim eles são decisivos no desenrolar da história.

Cartaz do filme: o cabelo é azul!!!!


A bela Adèle, com carinha de coelho...


Emma, que também não é de se jogar fora...


Beijo apaixonado das duas, com o Sol no meio: plasticidade cheia de sentido (o homossexualismo com a bênção de Sartre). Imagem travestida em linguagem...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Questão de Tempo

Questão de Tempo: Do que Você se Arrepende?

O filme inglês “Questão de Tempo” nos mostra uma história no mínimo inusitada. Ele fala de um rapaz de nome Tim (interpretado por Domhnall Gleeson) que descobre através de seu pai que os homens de sua família, quando chegam à idade de vinte e um anos, têm o poder de viajar no tempo, apenas para o passado, ao se trancar num lugar escuro, fechar os punhos e pensar na época para onde quer ir. Tim acha essa história ridícula, mas tenta assim mesmo. E não é que a tal mandinga funciona? A partir daí, Tim vai utilizar essa artimanha para corrigir os erros que vai cometer ao longo da vida. Esse filme lembra muito aquilo que falamos quando nos arrependemos de alguma coisa que fazemos: “ ah, se eu pudesse voltar no tempo para consertar a besteira que fiz...”. Mas Tim usa também esse poder para ser uma espécie de “super-herói” que corrige situações escabrosas em que seus entes queridos se metem. Mas logo Tim percebe que ele nem sempre pode usar esse poder de forma indiscriminada, pois ao modificar algumas situações, ele também pode modificar o seu presente, bem ao estilo daquelas fórmulas bem batidas de alteração do passado que leva a mudanças no presente que já vimos em vários filmes de ficção científica. De qualquer forma, Tim usa seu poder para transformar sua vida e a faz bem feliz: consegue uma ótima esposa, filhos maravilhosos, é bem sucedido no emprego, etc. Mas Tim acaba não escapando de encarar a morte do próprio pai, também possuidor desses poderes, e de não poder consertar num piscar de olhos a vida de sua amada irmã Kit Kat, já que este seu poder possui alguns limites. Assim, Tim percebe que, em algumas situações ele vai ter que se virar como nós, meros mortais, usando muito jogo de cintura para superar as adversidades da vida. Depois de nascido seu terceiro filho, o poder de Tim desaparece, o que significa que ele não poderá mais se encontrar com seu pai. No seu último encontro, Tim receberá do pai a seguinte sugestão: passe alguns dias sem usar esse poder e depois reviva esses dias de uma forma mais leve, ou seja, leve a vida um pouco mais na flauta. Mas a grande mensagem do filme está mais ao final: como não temos esse poder de voltar ao passado para consertar as coisas, o mais importante é viver cada dia como se fosse o último, aproveitando sua vida ao máximo. Cada dia é uma nova oportunidade de mudança, de tentar novos acertos e corrigir novos erros, ou seja, não precisamos retornar ao passado para construirmos uma boa vida para nós. O grande lance é buscar os acertos, desfrutar das benesses deles e, quando errarmos, aprendermos com nossos erros para ampliarmos nossas chances de sucesso em tudo no futuro. É uma bonita mensagem de um filme que tem tons de comédia romântica e drama. É o cinema mais uma vez exercendo a sua função principal: nos fazer pensar e filosofar sobre as coisas da vida. Arte em movimento que toca a alma e o coração.

Lindo Cartaz do Filme, com Rachel McAdams (Mary, a esposa de Tim)


Tim e o Pai


Uma dupla viagem no tempo...

 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Resenha de Filme - Última Viagem a Vegas

Última Viagem a Vegas: A Saga dos Coroas “Pra Frentex”.

O filme “Última Viagem a Vegas” já chama a atenção pelo elenco, um verdadeiro rolo compressor: Robert De Niro, Morgan Freeman, Michael Douglas e Kevin Kline. Um filme com qualquer um desses atores já valeria a pena de dar uma conferidinha no cinema. Com os quatro então... Essa comédia cheia de medalhões de Hollywood conta a história de quatro amigos de infância que conseguem cultivar essa amizade pela vida inteira, até a chamada “melhor idade”, ou falando de uma forma mais implacável, a velhice. Um reencontro entre os quatro irá ocorrer quando um deles, Billy (Michael Douglas), resolve se casar na casa dos setenta anos com uma ninfetinha de trinta e dois anos. Billy sempre foi um cara que nunca se apaixonou ou casou, para poder desfrutar da vida, sendo o mais “garotão” dos quatro amigos. Ele conta a nova aos seus amigos por celular, numa teleconferenciazinha onde eles conversam simultaneamente e acertam uma despedida de solteiro em Las Vegas, onde também ocorrerá o casório. O problema será convidar Paddy (De Niro), que enviuvou há pouco mais de um ano de sua esposa Sophie. O problema é que Paddy não aceitou a não presença de Billy no enterro da esposa. E assim, Paddy acaba sendo o mais rabugento dos quatro. Com o desenrolar do filme, ficamos sabendo também que Sophie foi disputada por Billy e Paddy na infância.  Vemos então que a trama principal gira em torno de Billy e Paddy. Mas os personagens Archie (Freeman) e Sam (Kline) também dão um ótimo tom ao filme e é delicioso ver estes caras atuando juntos, que é onde todo o roteiro se apoia. Temos ainda a boa presença de Diana (interpretada pela ótima Mary Steenburgen), uma cantora de cassino sem público que chama a atenção dos quatro sexagenários (ou septuagenários?) e contracena à altura com muita desenvoltura e elegância. Mulherão, mesmo na idade mais madura. A história ainda é permeada de situações engraçadas e lances afetivos entre os velhos amigos, onde cada um dos grandes atores tem o seu espaço de atuação bem reservado, quando eles podem mostrar todo o seu talento. A gente vê o filme, se delicia com bons atores na tela (ah, o verdadeiro cinema, onde a gente vai ver o ator que a gente gosta e não uma sucessão de efeitos especiais e imagens iguaizinhas as dos videogames caseiros!), se emociona, ri bastante e sai do cinema com a sensação de que o dinheiro pago na bilheteria valeu! Hollywood desperdiça muito celulóide, mas quando quer fazer algo legal, faz, e bem. Vale a pena dar uma olhada neste filme. Vá ao cinema, vejam esses caras atuando em grande forma, riam com eles, sejam cúmplices de suas estripulias, divirtam-se bastante com suas piadas, pertençam ao universo dos quatro velhos amigos. Você vai sair do cinema satisfeito e levinho...

Cartaz do Filme


Os caras!!!!!


Mary Steenburgen, a Diana (é ou não é um mulherão?)