Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Resenha de Filme - O Filho de Saul

O Filho De Saul. Um Funeral Muito Arriscado.
Mais um filme que concorre ao Oscar. Diretamente da Hungria, “O Filho de Saul” concorre à estatueta de melhor filme estrangeiro, tendo já ganho o Globo de Ouro por essa categoria, além do Grande Prêmio de Cannes, ano passado. É mais um filme sobre Segunda Guerra Mundial e Holocausto, só que dessa vez podemos dizer que ele é extremamente impactante, sendo bem diferente do que se tem visto por aí.
Vemos aqui a história de Saul Ausländer (interpretado por Géza Röhrig), integrante de um grupo chamado “Sonderkommand”, que consistia de prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz que eram responsáveis por conduzir os demais presos à câmara de gás, revistar as roupas dos prisioneiros em busca de objetos de valor, transportar os corpos para os fornos crematórios, jogar as cinzas dos mortos no rio. É apenas questão de tempo para que os membros do “Sonderkommand” sejam executados. Nesse meio tempo, Saul encontra dentro da câmara de gás um menino moribundo, que resistiu ao veneno. Entregue a um médico nazista, este mata o garoto sufocando-o. Mas a resistência do menino intriga o médico, que quer fazer uma autópsia. Saul observa a tudo estarrecido e decide dar um enterro digno ao garoto, com a presença de um rabino e tudo, inclusive dizendo que era o pai do menino. Só que, para conseguir tudo isso, Saul passará por situações arriscadíssimas em meio a nazistas extremamente cruéis e sanguinários.
É um filme altamente traumatizante e sufocante. Para começar, a cópia é daquelas que mostram a imagem na tela de uma forma bem estreitinha, como se a gente estivesse vendo uma película de 16 mm. Mas não é apenas essa limitação técnica que faz a exibição tomar tons agônicos. O diretor László Nemes optou por transformar a câmara numa espécie de “personagem”, andando boa parte do tempo grudada em Saul, como se fôssemos uma pessoa que o acompanhava. E, enquanto isso, todo o tipo de atrocidades ocorrendo à sua volta: gritos de pessoas morrendo envenenadas, imagens de relance de pilhas de corpos, chãos ensanguentados sendo limpos, massacres de pessoas em fossos, etc., tudo muito angustiante e claustrofóbico, exibido às vezes de forma desfocada, dando a impressão de que o filme é um enorme pesadelo. Esse talvez tenha sido um dos filmes mais realistas sobre a guerra, lembrando os trinta minutos iniciais de “O Resgate do Soldado Ryan”, de Spielberg, onde víamos o desembarque dos aliados na Normandia da visão de quem estava dentro do campo de batalha. Agora, os horrores dos genocídios de Auschwitz são exibidos num mesmo contorno, de forma extremamente impactante e realista. É uma coisa desagradável de se ver, mas colocada de uma forma altamente pertinente para denunciar da forma mais gritante os crimes do nazismo.
Outro ponto que merece um grande destaque é a obsessão do personagem Saul em enterrar o menino morto. Aparentemente podemos considerar uma loucura dar um enterro digno a uma pessoa quando a sua própria vida está em risco. Mas não podemos nos esquecer também de que esse enterro é um senhor ato de resistência e manutenção de seus parâmetros culturais frente à invasão do povo estrangeiro que quer simplesmente riscar do mapa todo um povo e sua maneira de ser. A indústria de matança do campo de concentração usava cremações em massa, contra os enterros feitos pelos judeus. Para Saul, tornou-se uma questão de honra e de sobrevivência de sua cultura dar um enterro digno ao garoto provando que, em meio a todo aquele caos, ainda se podia resistir ao aniquilamento que os nazistas empreendiam.

Dessa forma, “O Filho de Saul” é um grande filme produzido na Hungria que merece, e muito, a estatueta de melhor película estrangeira. O diretor, com o uso angustiante e tresloucado de sua câmara, joga nós, espectadores, nos horrores de um campo de concentração como poucas vezes foi visto. Um filme fundamental. Não deixe de ver o trailer após as fotos.

Saul. Em busca de um enterro digno.

Limpando corpos...

Seus colegas do campo de concentração não entendiam sua atitude

O tempo todo no fio da navalha

Procurando um rabino

Violenta opressão nazista

A equipe do filme exibindo, orgulhosa, o Globo de Ouro



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